Para o céu dos cachorros
Meu cãozinho branco da montanha,
Não parece que foi ontem. Parece (e faz) quase uma eternidade que fomos buscar você, ainda sem nome e em formato de mini bola de pêlos, mas às vezes ainda te procuro para dar a pontinha do tomate quando estou cozinhando.
Pensei que você bateria o Mike (a samambaia) no quesito longevidade, principalmente porque nesses 16 anos você nos fez pensar que enterraria a humanidade: a vez que ficou presa embaixo da geladeira e ninguém te encontrava, o nascimento dos filhotes que quase te matou, uma lista de cânceres de fazer inveja ao José Alencar.
As pessoas do prédio perguntaram de você, Dr. Edward (aquele crápula) mandou um e-mail lindo, a família e os amigos nos consolaram e a Bebel teve que se conformar em brincar com a sua réplica de pelúcia, o Bianco (pouco original, eu sei). Eu passei a abraçar qualquer cachorro que vejo na rua e às vezes “empresto” a Oito para sentir menos a sua falta, só que não adianta muito.
Com a reforma, sua poltrona preferida foi embora e não temos mais as meias velhas espalhadas pela sala – o que é ótimo – mas a casa continua precisando de um cachorro. Acontece que sabemos que não vai haver outra Bianca.
Ao contrário do que diz o título do filme, nem todos os cães merecem o céu. Você, sim. Inclusive me pego cogitando a existência de um céu de cachorros e te imagino sentadinha na grama, comendo suas uvas sem caroço, mini cenouras, tomates e latas infindáveis de atum.
Em vez da paz mundial, além de ganhar na megasena, meu desejo é de que todas as crianças do mundo tenham um cachorro tão legal como você foi.
Um beijo na ponta do seu focinho úmido.
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